Entre Março e Setembro de 2020, os grupos de direitos humanos documentaram 10 assassinatos cometidos pela polícia e militares em Angola, incluindo a morte de cinco meninos de 14 a 16 anos. Este dispatch reporta um módulo especial de pesquisa incluído no inquérito da 9a Ronda do Afrobarometer (2021/2023) para explorar as experiências e as avaliações dos Africanos sobre o profissionalismo da polícia. Os resultados em Angola mostram que a maioria dos cidadãos sente insegurança e medo ao seu redor e diz que o governo precisa fazer um trabalho melhor para reduzir o crime.
Principais conclusões:
- Mais de seis em cada 10 Angolanos (63%) dizem que se sentiram inseguros a andar no seu bairro pelo menos uma vez durante o ano anterior, enquanto 54% dizem que temeram o crime em casa pelo menos uma vez.
- Entre os cidadãos que procuraram assistência policial no ano anterior, 41% afirmam terem pago suborno ("gasosa" ou "sentimentos"). E 37% daqueles que encontraram a polícia em outros locais dizem que pagaram suborno para evitar problemas.
- Quase metade (45%) dos Angolanos dizem que "a maioria" ou "todos" os polícias são corruptos, a pior classificação entre as 12 instituições e grupos de dirigentes sobre os quais a pesquisa incidiu. As percepções de corrupção generalizada na polícia aumentaram 6 pontos percentuais em relação a 2019.
- Dois terços (66%) dos Angolanos dizem que a polícia "muitas vezes" ou "sempre" pára os condutores sem um bom motivo, e a maioria dizem que a polícia usa força excessiva durante as manifestações (57%) e com suspeitos de crimes (55%). Quase quatro em cada 10 (38%) dizem que a polícia frequentemente se envolve em atividades criminosas.
- Menos de dois em cada 10 Angolanos (18%) dizem que a polícia "frequentemente" ou "sempre" age de forma profissional e respeita os direitos de todos os cidadãos, enquanto notáveis 60% dizem que "raramente" ou "nunca" o fazem.
- A maioria (59%) dos cidadãos considera provável que a polícia leve a sério as denúncias de violência de género.
- Mais de dois terços (68%) dos Angolanos descrevem o desempenho do governo na redução da criminalidade como "bastante mau" ou "muito mau."