Duas medições, uma mesma direcção
Entre 2019 e 2024, a percentagem de angolanos que considera os média «completamente livres» caiu 13 pontos percentuais, segundo a série temporal do Afrobarometer. No mesmo período, Angola desceu nove lugares no índice da RSF — do 100.º para o 109.º entre 180 países avaliados. Os dois indicadores são metodologicamente independentes: um mede percepções dos cidadãos através de um inquérito aleatório a 1.200 pessoas; o outro avalia o ecossistema mediático com base em cinco dimensões (político, legal, económico, sociocultural, segurança) preenchidas por jornalistas, juristas e investigadores.
Quando duas fontes tão diferentes apontam para o mesmo lado, a leitura mais prudente é a mais simples: alguma coisa mudou. E mudou para pior.
O que mudou em concreto
A queda angolana na RSF 2026 é particularmente preocupante por ser sincronizada nas cinco dimensões. Não é só o quadro legal que se deteriorou — é também o ambiente económico (com pressão sobre a publicidade institucional), o ambiente político (entrevistas censuradas durante a campanha de 2022), e a segurança pessoal dos jornalistas. A Ronda 10 do Afrobarometer, do lado da percepção, mostra que 50,3% dos angolanos dizem hoje que os jornalistas «raramente» ou «nunca» podem reportar sem censura — eram 37,1% na Ronda 8 (2019).