O silêncio que *precede* a urna

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A liberdade dos média angolanos caiu nas duas mediçõe

O silêncio
que precede a urna

A liberdade dos média em Angola caiu, em simultâneo, na percepção dos cidadãos (Afrobarometer −13 pp) e na medição objectiva dos Repórteres Sem Fronteiras (do 100.º para o 109.º lugar). Duas fontes independentes, um mesmo retrato. E um problema central para 2027.

Análise · Maio 2026
O QUE OS ANGOLANOS PENSAM Análise · 3 Maio 2026

LIBERDADE DE IMPRENSA

O silêncio
que precede a urna

A liberdade dos média angolanos caiu nas duas mediçõe

−13pp
Queda na percepção de liberdade dos média
109/180
Posição RSF 2026 (era 100 em 2024)
5/5
Dimensões da RSF com queda em Angola
2/23
Rádios privadas com cobertura efectivamente nacional
−13pp
Queda na percepção de liberdade dos média
109/180
Posição RSF 2026 (era 100 em 2024)
5/5
Dimensões da RSF com queda em Angola
2/23
Rádios privadas com cobertura efectivamente nacional

Duas medições, uma mesma direcção

Entre 2019 e 2024, a percentagem de angolanos que considera os média «completamente livres» caiu 13 pontos percentuais, segundo a série temporal do Afrobarometer. No mesmo período, Angola desceu nove lugares no índice da RSF — do 100.º para o 109.º entre 180 países avaliados. Os dois indicadores são metodologicamente independentes: um mede percepções dos cidadãos através de um inquérito aleatório a 1.200 pessoas; o outro avalia o ecossistema mediático com base em cinco dimensões (político, legal, económico, sociocultural, segurança) preenchidas por jornalistas, juristas e investigadores.

Quando duas fontes tão diferentes apontam para o mesmo lado, a leitura mais prudente é a mais simples: alguma coisa mudou. E mudou para pior.

O que mudou em concreto

A queda angolana na RSF 2026 é particularmente preocupante por ser sincronizada nas cinco dimensões. Não é só o quadro legal que se deteriorou — é também o ambiente económico (com pressão sobre a publicidade institucional), o ambiente político (entrevistas censuradas durante a campanha de 2022), e a segurança pessoal dos jornalistas. A Ronda 10 do Afrobarometer, do lado da percepção, mostra que 50,3% dos angolanos dizem hoje que os jornalistas «raramente» ou «nunca» podem reportar sem censura — eram 37,1% na Ronda 8 (2019).

Citar este texto

Boio, D. (2026). O silêncio que precede a urna: liberdade de imprensa em Angola entre 2019 e 2026. Ovilongwa Consulting · Programa «O que os angolanos pensam», 3 de Maio. Disponível em ovilongwa.org/publicacoes/silencio-urna.